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Artigo para o Fisl 10.0

II Encontro Texto Livre e Underlinux sobre documentação em Software Livre.

I Encontro Texto Livre e Software Livre Educacional...

http://www.textolivre.org/wiki/images/3/35/Documente.jpeg

Abstract:

Resumo: O encontro entre Texto Livre e seus aliados, Under-linux e Software Livre Educacional, pretende ser um momento de incentivo à produção de documentação e seu suporte linguístico, além de propor um espaço de apoio pedagógico e técnico ao ensino pelas novas ferramentas tecnológicas. Na base dessas parcerias está a união de duas comunidades: a acadêmica e a de software livre que buscam um espaço de trocas proveitosas. Se por um lado os softwares beneficiam seus usuários, a documentação de qualidade tem a potencialidade de ser uma ponte facilitadora e propagadora desse software. Assim, o FISL será um espaço importante para a apresentação das experiências proporcionadas por essas alianças.

1. Introdução

O projeto Texto Livre (http://www.textolivre.org/) tem trabalhado desde 2006 com um tema principal: a documentação em software livre que lida essencialmente com dois problemas muito estudados na área de letras: revisão textual e tradução.

Com o desenvolvimento do projeto e seu envolvimento em novas parcerias, foi tendência natural a necessidade de abranger outras questões demandadas principalmente pelo novo contexto da educação. Um exemplo é a possibilidade de auxiliar o letramento digital por meio do suporte técnico e pedagógico que o projeto oferece a professores que decidem introduzir as novas tecnologias em sua sala de aula.

Além do trabalho ativo que prevê o suporte linguístico à documentação em si e o suporte à educação pelas novas tecnologias, o Texto Livre tem em seu horizonte solucionar problemas de escrita enfrentados por autores voluntários que desejam produzir textos diversos sobre Software Livre. A organização das ideias, formalização e adequação de tutoriais e outros gêneros textuais recorrentes nessa área são imprescindíveis para a legibilidade do texto e, consequentemente seu maior impacto no público alvo. Para isso, pensamos em cursos com manuais preparados por alunos da área de Letras e destinados a esse público.

Como resolver tais questões contando com dois universos: a academia e as comunidades de software livre? É o desafio que o projeto Texto Livre pretende vencer como uma maneira de contribuir visando a uma maior qualidade no uso desse software, além de garantir, com isso, seu uso mais frequente.

2. No meio do caminho tinha a Under-Linux!

Além do projeto Texto Livre se dever ao encontro casual de sua fundadora com comunidades que precisavam de suporte linguístico para seus textos, como a Ubuntu-br, ele ainda teve em seu caminho um grupo interessado nos artigos traduzidos e revisados que, em sua maioria, contribuíam muito para as discussões em torno da informática.

A Under-linux (http://under-linux.org/blogs/) é um dos TOP 3 sites de Linux segundo a BR-Linux.org e, como já mencionamos, desde o início do Texto Livre, o portal tem nos oferecido espaço e visibilidade. Ele ainda é o principal veículo de publicação do material do que leva o nome do projeto.

Um exemplo dessa atuação é a tradução e revisão do artigo pelos alunos, cujo trecho segue:

"Escute e grave transmissões de áudio e vídeo com o Mplayer

A maioria das transmissões de áudio e vídeo na Internet são feitas em formatos proprietários tais como RM, RAM, WMV e ASF. Felizmente, o aplicativo de fonte aberta MPlayer pode tocar e até mesmo gravar quase todos os formatos. (...) Fonte: http://www.linux.com/feature/119987 Tradução e revisão: Texto Livre (Henrique Murta e Marcos Daniel) (Publicado na Under-linux em 06 de nov. 2007: http://under-linux.org/7904-escute-e-grave-transmissoes-de-audio-e-video-com-o-mplayer.html)."

Com essa oportunidade, os alunos se veem como colaboradores em situações reais de produção, o que pode ser confirmado pelo acompanhamento do seu nome e do projeto no final. Além disso, os leitores do portal contam com textos mais legíveis sobre diversos assuntos do mundo da informática, especialmente sobre Software Livre.

3. Texto Livre na sala de aula

A maior experiência do Texto Livre se deve ao trabalho voluntário de uma professora da UFMG que tem utilizado a metodologia do projeto em suas disciplinas de oficina de texto na UFMG. Tais disciplinas têm enfoque na redação acadêmica ou técnica que, por sua vez, é um espaço que privilegia a produção de resumos, projetos e relatórios. Geralmente, nesse tipo de curso, as produções solicitadas não vão muito além dos nossos velhos conhecidos temas como "Minhas Férias", ou seja, mesmo que o professor trabalhe com temas de interesse dos alunos, os textos são produzidos especificamente para o professor. Entretanto, estudos na área de educação demonstram que a essência do ensino/aprendizagem de escrita está no ato comunicativo: o sentido do texto está na comunicação e, portanto, quanto mais real a situação de comunicação, maior a produtividade da oficina.

Essa necessidade de uma situação real de prática combinava com o fato de a grande maioria dos voluntários que atua na produção de documentação para o software livre não possuírem formação nas áreas de redação e tradução.

Nesse contexto, a proposta de interação entre os alunos da oficina de texto com os documentadores, tradutores, revisores, escritores de artigos e tutoriais da área de software livre é produtiva para ambas as partes, pois trata-se de uma situação de colaboração concreta dos alunos da oficina de textos com comunidades específicas.

Dessa forma, a criação do Texto Livre possibilita não só a implementação desta experiência por docentes de diferentes instituições do país, atuando com alunos de diferentes áreas do conhecimento, mas também a interação entre estes docentes e alunos, que, no melhor estilo colaborativo do software livre, estarão trabalhando no aprimoramento constante do projeto. Dessa experiência, desde 2006, contamos com uma lista de artigos que, após serem traduzidos e revisados pelos alunos, foram publicados no portal Under-linux (http://under-linux.org/blogs/), aliado constante do projeto desde seu início e espaço aberto para a atuação dos alunos fora da academia. Essa lista pode ser acessada aqui: https://twiki.softwarelivre.org/bin/view/TextoLivre/WebHome.

4. Texto Livre e SLEducational na tradução de carimbos do TuxPaint

Em 2008, o Texto Livre recebeu um convite do Software Livre Educacional para colaborar com o TuxPaint que é um programa educativo destinado a incentivar a criatividade, principalmente das crianças, ao utilizar ferramentas simples de desenhos no computador.

O trabalho foi organizado da seguinte forma:

FASE A) Tradução individual dos termos: cada aluno escolhe uma classe e traduz no Wiki (http://www.textolivre.org/wiki/TuxPaint), onde foram criados links para as páginas de cada classe dos carimbos. Nessa fase, se alguém já traduziu um termo, o outro pode colocar sua tradução ao lado ainda que seja a mesma, enfatizando convergências e divergências. Por exemplo, para “A cuckoo.”, foram sugeridos os termos: “Um cuco/cuco/corvo/cuco/cambachirra/anu branco(guira-guira)ou guira cuckoo/ pássaro cuco”. Os termos em inglês estão nesta lista: http://www.tuxpaint.org/stamps/.

FASE B) Dividimos os voluntários em dois grupos. Cada grupo tratou de avaliar as traduções feitas e buscou resolver as faltas e as divergências. Além de usar a lista de e-mails da turma, uma reunião online teve essa finalidade.

FASE C) As duas turmas envolvidas na tarefa se reuniram online para discutir as últimas pendências.

FASE D) Transferir as traduções aceitas para o Entrans do projeto TuxPaint (http://traduz.sleducacional.org/list.php?file_list=yes&file_id=24&page=1).

FASE E) Gravação das palavras pelos locutores crianças. Um programa foi criado especialmente para essa etapa: http://www.textolivre.org/teste/tuxpaintGravacao/index.php e registrado no SourceForge.net.

Os nomes dos carimbos foram inseridos em frases completas como “Muito legal: um centavo europeu, não acha?" para que fosse garantida uma estabilidade melódica maior. Os nomes estão sendo isolados para serem inseridos no TuxPaint.

Pensamos que a experiência foi muito válida para os alunos que puderam discutir a relevância do trabalho para sua área de Letras, para o conhecimento do software TuxPaint pelos tradutores que, em sua maioria, eram professores e poderiam usá-lo em suas aulas e ainda lembramos a utilidade do trabalho para o projeto e para os usuários que, em breve, poderão contar com a tradução dos carimbos para o português.

5. A importância de uma boa documentação

O projeto Texto Livre aposta em iniciativas que preveem suporte à documentação por acreditarmos que esse é um requisito para que o software livre possa inspirar maior segurança e confiança a seus usuários, uma vez que a qualidade dos textos que divulgam suas ideias de uma forma geral corrobora para a imagem que ele reflete.

É com essa preocupação que pretendemos diminuir notícias negativas como esta, publicada recentemente:

Erros na tradução: GCompris criticado na imprensa portuguesa

“Devido aos erros na tradução disponibilizada aos alunos, o software educacional GCompris (gcompris.net) foi notícia central nos principais jornais e televisões em Portugal, neste fim-de-semana. O semanário Expresso, um dos mais respeitados, escreve “Há frases mal construídas, outras que começam na segunda pessoa do singular e continuam na terceira (tratam o leitor por tu e por você), expressões absurdas e frases que simplesmente não fazem sentido”. A notícia tem o título “Festival de asneiras no Magalhães". (Notícia publicada no portal Br-Linux: http://br-linux.org/2009/erros-na-traducao-gcompris-criticado-na-impresa-portuguesa/ em 9/03/2009.)

Um programa educativo que contenha inadequações ortográficas é inadmissível para uso na sala de aula e a repercussão desse fato foi lamentável: mesmo com o lançamento de uma nova versão do GCompris com as correções, o governo já havia ordenado a exclusão do programa GCompris dos computadores.

Diante dessa notícia, nossa afirmação de que a documentação tem uma grande importância para a divulgação do software é reforçada. Mesmo que ele fosse muito bom, ainda assim ele não seria aceito, pois no contexto educativo um software com inadequações não serviria aos propósitos de formação do ensino.

6. Considerações finais

Acreditamos que no atual contexto de expansão do uso da informática no dia-a-dia das pessoas, todas as contribuições para a reflexão sobre sua utilização, sua melhoria e a possibilidade de colaborar com o outro são válidas.

O nosso objetivo com essa proposta é justamente fortalecer esforços em torno do software livre garantindo a seus usuários maior segurança ao fazer uma migração de software proprietário para o livre ou mesmo usar ferramentas livres em softwares proprietários.

Para isso, propomos um workshop em que os interessados possam conhecer o projeto, experimentar algumas de suas ferramentas e levar o projeto para as salas de aula ou contextos em que possam ser úteis.